e me permitia ser e sentir. Sinto que me reencontrei parada numa esquina da vida, talvez aquela de sempre, um pouco perdida. E eu fui lá e me abracei.
Muito bom voltar a ter o vigor dos meus vinte anos, mas detesto sentir a onda de insegurança que isso traz. Por longos 10 anos eu fui a rainha mais desejada do meu lar, do meu mundo, do mundo de alguém.
Hoje eu voltei a ser ninguém.
E ao mesmo tempo que isso me liberta a provar e a ter o que eu quiser, isso também me judia, me expõe e desafia a minha já tão frágil e temida autoestima.
O que eu fiz e faço de errado já não tem ninguém que me ame o suficiente para me dizer. Hoje eu tento adivinhar, e pra que adivinhar pra mais se eu posso sempre fazer isso pra menos?
Ando vivendo as primeiras vezes de centenas de coisas após a minha viuvez, e elas são tão duras quanto as primeiras vezes da adolescência, só que com um pinguinho a mais de descrença, regada pela força e o peso da idade madura.
Quando somos jovens, idealizamos. Quando velhos, aceitamos que assim são as coisas e fingimos que elas não nos abalam, mas elas abalam sim. A gente finge melhor.
Então eu conto com a falácia da maturidade e digo que está tudo bem. Não estou neste mundo pra reclamar.
Esse meu parto que faço todo dia já está me arregaçando as estranhas. E olha só, eu ainda tenho o resto da vida pra aprender a viver de novo. Que pelo menos eu encontre carinho no caminho.
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