E a cada episódio eu fico mais impressionada com o talento de pessoas que muitos ignoram nesta sociedade. Ainda mais naquela época, NY de 1980.
A arte, a criatividade, o brilho que essas pessoas têm enquanto minguam à margem da sociedade é comovente e inspirador. Me faz pensar no quanto muitos sofrem por aí por absolutamente nada perto da luta dessa galera.
Quanto mais a gente tem, menos se sente capaz, será isso? Com certeza é isso.
Expressar a sua identidade é não apenas um grito de moda, mas sim da sobrevivência de pessoas oprimidas e marginalizadas naquele contexto. Mulheres pretas e latinas transexuais nos anos 80/90 que batalhavam pra existir e serem vistas com o mínimo de respeito.
Caramba, e você aí achando que sofre muito por ser padrão e sair com a sua cara de padrão todo dia pra trabalhar das 9-17h.
É nessas horas que eu fico um pouco envergonhada das minhas inseguranças. Você já parou pra pensar que tem gente sofrendo por querer ser o que elas são? Já parou pra pensar que maravilha é a sua vida por ninguém se importar com o que você veste, com quem você sai, do que você gosta e como gosta. Aproveite a sua insignificância pra viver um pouco melhor.
Eu tenho a sensação de que são essas pessoas marginalizadas que são as grandes moldadoras dos nossos comportamentos. Mas a que custo elas sobrevivem? E ainda assim muitos de nós queremos tirar o orgulho delas, diminuindo suas lutas e vivências ao estipular o que é considerado normal ou padrão.
Eu sou grande admiradora de qualquer expressão artística. E os ballroons retratados na série, com todas suas competições, looks, embates, talento e gente preta , ME ENCANTOU. Se esse universo de meu Deus permitisse a viagem no tempo e espaço, eu com certeza queria ter estado em uma platéia vibrando pela minha casa favorita.
Terminei a série me sentindo um pouco Evangelista. 🙂

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